Julgamento de triplo homicida
Em tribunal, o arguido permaneceu em silêncio e teve de ser retirado da sala para que as testemunhas pudessem sentir-se em segurança.
O dia 2 de outubro de 2024 ficou marcado por um dos crimes mais violentos dos últimos anos em Portugal. Fernando Silva matou três pessoas na barbearia "Granda Pente" no Bairro do Vale, em Lisboa.
Tudo isto por que o barbeiro Carlos Pina disse que não lhe podia cortar o cabelo porque estava a almoçar. Carlos Pina, Bruno Neto e Fernanda Júlia foram mortos com tiros à queima roupa na cabeça.
Mais de um ano depois, Fernando Silva, que tem estado em prisão preventiva, começou a ser julgado no Campus de Justiça.
A primeira testemunha a ser ouvida foi Fábio Ferreira, colega do barbeiro Carlos Pina. O homem que escapou à quarta bala disparada por Fernando teve um ataque de ansiedade ao perceber que o triplo homicida e parte da família estavam presentes no julgamento e deixou a sala. Só depois da retirada do arguido e da família foi possível ouvir o testemunho pormenorizado de alguém que sobreviveu por meros centímetros.
Em tribunal, o suspeito Fernando Silva escolheu permanecer em silêncio. Diz não saber qual é a acusação nem "aquilo que fazia ali". Não foi capaz de dizer o nome completo, nem o nome do pai e da mãe que o ajudaram a fugir. Foi confrontado com a leitura da acusação e da perícia, que considerou imputável.
Num documento, é possível entender que Fernando Silva tinha perfeita noção daquilo que estava a fazer e que agiu com intenção de matar.