Esmail Baghaei, alertou, que Israel "fará tudo o que estiver ao seu alcance" para impedir a "transferência de tecnologias nucleares" para os países do Médio Oriente.
As autoridades iranianas defenderam esta segunda-feira "o direito" de países como a Arábia Saudita utilizarem energia nuclear, após o acordo assinado na semana passada entre sauditas e norte-americanos para impulsionar a cooperação nuclear.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, alertou, durante uma conferência de imprensa, que Israel "fará tudo o que estiver ao seu alcance" para impedir a "transferência de tecnologias nucleares" para os países do Médio Oriente, embora tenha sublinhado que todos têm o direito de fazer "uso pacífico" desta energia.
"A razão da pressão sobre o Irão tem sido o exercício deste direito. Deixamos isto em aberto para o mundo julgar", afirmou, ao mesmo tempo que pediu aos países da região para que deixem de participar no conflito, que Teerão atribui sobretudo aos Estados Unidos.
"É claro que o envolvimento dos países da região não pode ser ignorado", observou Baghaei, não mencionando, no entanto, nenhum país em concreto.
Em relação às conversações com Omã para encontrar uma solução para a grave crise na região, afirmou que "os contactos continuam", mas salientou que o estreito de Ormuz — por onde, antes da guerra, passava um quinto de petróleo e gás natural do mundo — continua encerrado.
"Houve discussões muito úteis sobre como gerir o tráfego na área", disse, referindo-se às negociações com Omã que decorreram na sexta-feira e no sábado.
Além disso, afirmou que o seu país "responderá com mais força a futuros ataques" contra o seu território e insistiu que o exército está "mais alerta do que nunca e preparado para enfrentar qualquer ameaça ou conspiração dos inimigos".
O porta-voz garantiu ainda que o Irão continuará a "defender a integridade territorial e a independência do país" e avisou que "responderá com força" a novos ataques.
Esmail Baghaei reiterou ainda que os ataques das forças ucranianas a navios iranianos no mar Cáspio "são ilegais" e constituem uma violação do direito internacional vigente.
"Esta é uma manobra perigosa, e temos o direito de responder", declarou, avisando que as consequências podem afetar diferentes partes do mundo.
"Isto deve preocupar os países com acesso ao mar Cáspio", alertou, assegurando que Teerão "nunca teve a intenção de intervir" nesta guerra.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Abbas Araghchi, já tinha condenado o ataque ucraniano a um navio comercial iraniano e afirmado ter-se tratado de uma "violação da Carta da ONU" que não podia ficar sem resposta.