Teerão reforça à Rússia e Turquia que bloqueio de Ormuz é resultado da agressão

Lusa | 23 de Março de 2026 às 17:42
Ormuz
Ormuz FOTO: AP

Teerão negou quaisquer negociações entre Washington e a República Islâmica.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, reforçou esta segunda-feira aos homólogos russo e turco que o bloqueio do Estreito de Ormuz é uma "consequência direta" de uma agressão dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica.

Nos telefonemas com Serguei Lavrov e Hakan Fidan, o chefe da diplomacia de Teerão afirmou que "a comunidade internacional deve responsabilizar estes dois países pelos seus atos ilícitos e crimes" relacionados com a agressão que levou ao encerramento parcial desta via navegável estratégica para a distribuição de petróleo e gás natural liquefeito e fez disparar os preços internacionais.

No domingo, Araghchi tinha afirmado que "o Estreito de Ormuz não está fechado", apesar das ameaças militares da Guarda Revolucionária de bloquear a passagem de navios ligados aos Estados Unidos, a Israel ou aos seus aliados.

"Os navios estão hesitantes porque as seguradoras temem a guerra que vocês iniciaram, não o Irão. Nenhuma seguradora, nem nenhum iraniano, se deixará influenciar por novas ameaças. A liberdade de navegação não pode existir sem a liberdade de comércio. Respeitem ambas, ou não esperem nenhuma", disse numa mensagem publicada na rede social X.

Além disso, assegurou ao homólogo da Rússia, um dos principais aliados de Teerão e com quem falou em várias ocasiões desde o início da guerra, que "a ameaça de atacar as infraestruturas energéticas do Irão constitui um claro exemplo de crime de guerra e genocídio", segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano.

Araghchi reiterou que, se as ameaças de ataques contra as infraestruturas energéticas iranianas, dirigidas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, se concretizarem, "a resposta do Irão será rápida e decisiva".