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O especialista em relações internacionais considera que o conflito no Médio Oriente chegou a um ponto de bloqueio sem precedentes, agravado pela recusa de Israel em parar a sua ofensiva e pela falta de autoridade de Trump.
101 dias depois do início do conflito, Luís Tomé que marcou presença no Guerra e Paz desta segunda-feira, não tem dúvidas: "Estamos num épico impasse." O especialista em relações internacionais considera que não se vê como sair do bloqueio do Estreito de Ormuz nem como resolver a equação criada pela interligação das várias frentes — Gaza, Líbano e o confronto direto entre Estados Unidos e Irão.
Para Luís Tomé, o Irão tem sido eficaz a manter essa ligação, resistindo às tentativas de Israel e dos EUA de separar os conflitos. O passo mais recente, atacar diretamente caso Israel mantivesse os bombardeamentos em Beirute e no sul do Líbano, foi ousado, mas já tinha sido anunciado. E mostrou que Teerão tem capacidade para o concretizar.
Do lado israelita, o problema é estrutural: o governo Netanyahu não tem qualquer interesse em negociações de paz ou cessar-fogo. Pelo contrário, tem aumentado a sua presença no sul do Líbano, expandido o território ocupado na faixa de Gaza e intensificado os colonatos na Cisjordânia, numa lógica que o especialista descreve como a construção de um "grande Israel".
Um governo refém de dois ministros particularmente extremistas e que depende da continuação da ofensiva para a sua própria sobrevivência.
A tudo isto soma-se, segundo Luís Tomé, "a clara falta de autoridade do presidente Donald Trump", o outro fator que alimenta o impasse.