Tiago Antunes diz-se vítima de cancelamento e abdica da Provedoria de Justiça

Lusa | 24 de Abril de 2026 às 09:57
Antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes
Antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes FOTO: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Há cerca de uma semana, a eleição do professor universitário e ex-governante para o cargo de provedor de Justiça ficou aquém dos necessários dois terços do parlamento, tendo apenas 104 votos favoráveis num total de 230 deputados.

O antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes lamentou esta sexta-feira ter sido vítima de cancelamento, com o chumbo do parlamento do seu nome para provedor de Justiça, e colocou-se de fora da corrida.

Em artigo de opinião publicado no semanário Expresso, Tiago Antunes desejou, “sinceramente, que muitas pessoas qualificadas continuem a disponibilizarem-se para servir a causa pública”.

“Cada vez tenho mais dúvidas, porém. Os deputados desrespeitam acordos, brincam com o bom-nome das pessoas e alimentam campanhas persecutórias absolutamente infundadas e ridículas. Assim, não contem comigo”, lê-se.

Há cerca de uma semana, a eleição do professor universitário e ex-governante para o cargo de provedor de Justiça ficou aquém dos necessários dois terços do parlamento, tendo apenas 104 votos favoráveis num total de 230 deputados.

Fonte parlamentar disse na altura à agência Lusa que o candidato indicado pelo PS após acordo com o PSD, teve 86 brancos e 36 nulos no sufrágio por voto secreto, quando teria de alcançar 154 votos a favor para atingir a maioria qualificada.

“Em suma, só avançaria para a Provedoria de Justiça na base de um acordo alargado quanto ao meu nome. Esse acordo existiu e foi firmado, há cerca de nove meses, diretamente entre os líderes do PS e do PSD. Infelizmente, não foi honrado”, lamentou Tiago Antunes.

Para o próprio, “pior do que isso” foi, “ao longo deste processo”, ter sido ”alvo de uma campanha vil, assente em falsidades e absolutamente descabida”.

“Chegou a especular-se que o líder do PS — que me desafiou para esta candidatura e a quem agradeço a confiança que em mim depositou ao longo de todo o processo — não teria ficado desagradado com o resultado. Não houve limites para o ridículo”, continuou.

O antigo secretário de Estado de vários executivos socialistas escreveu que vai continuar na universidade, fazer aquilo de que gosta — “ensinar Direito”, mostrando-se orgulhoso da “vida profissional, uma carreira académica e uma folha de serviços prestados” ao país.

“Por fim, foi evocado o risco de, um dia, eu ter de me pronunciar, enquanto provedor de Justiça, sobre uma eventual queixa ou pedido de responsabilidades ao Estado português por parte de José Sócrates”, lamentou.

Tiago Antunes candidatou-se a um cargo que está por preencher desde o início da presente legislatura, quando Maria Lúcia Amaral o deixou para desempenhar as funções de ministra da Administração Interna.

No sábado, o secretário-geral do PS indicou que o seu partido estava em diálogo com Tiago Antunes para avaliar uma nova candidatura a Provedor de Justiça, elogiando uma “personalidade de grande integridade” e “sem qualquer pendor partidário”.