Os iranianos "não vão aguentar muito mais”, disse o líder norte-americano aos jornalistas na pista da Base Aérea de Andrews, perto de Washington, acrescentando que “estão a tentar desesperadamente influenciar as eleições".
O Presidente norte-americano, Donald Trump, previu na passada quarta-feira que a guerra com o Irão "terminará imediatamente após as eleições" intercalares para o Congresso dos Estados Unidos, marcadas para 03 de novembro.
Os iranianos "não vão aguentar muito mais”, disse o líder norte-americano aos jornalistas na pista da Base Aérea de Andrews, perto de Washington, acrescentando que “estão a tentar desesperadamente influenciar as eleições".
Do mesmo modo, Trump anteviu que o preço da gasolina, que atualmente ultrapassa os quatro dólares (3,43 euros) por galão (3,8 litros), vai descer consideravelmente, podendo baixar para menos de dois dólares.
Mais de seis meses após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, o conflito continua sem saída à vista, enquanto a subida dos preços dos combustíveis e da inflação nos Estados Unidos ameaça o desempenho do Partido Republicano nas eleições intercalares, nas quais o Congresso será renovado.
Antes de embarcar para a convenção pré-eleitoral republicana em Dallas, no estado do Texas, Donald Trump sugeriu que a liderança iraniana pretende influenciar a composição do Congresso de modo a obter uma arma nuclear, o que deixaria o mundo "em sérios apuros".
O líder da Casa Branca indicou que uma nova ronda de negociações com Teerão para chegar a um acordo nuclear é possível, embora tenha ressalvado que não é isso que procura neste momento.
No início da guerra, lançada em 28 de fevereiro, o Presidente norte-americano esperava que durasse apenas algumas semanas e, nos últimos seis meses, vaticinou em várias ocasiões um fim iminente.
Como causa da guerra, que entretanto se alastrou a vários países do Médio Oriente, verificou-se uma redução drástica do fluxo de petróleo do Golfo através do estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes de Teerão colocar a passagem marítima sob ameaça militar, fazendo disparar os preços internacionais.
Na semana passada, Trump desvalorizou o conflito, considerando-o "uma coisa pequena" para os Estados Unidos, apesar de vários políticos do seu partido manifestarem preocupação com o seu impacto nas próximas eleições.
Na mesma altura, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, evitou estabelecer um prazo para o fim da guerra, remetendo a questão para as autoridades de Teerão e a ameaça colocada à navegação comercial em Ormuz: “Quando é que os iranianos vão parar de disparar sobre navios?”, afirmou, ao ser questionado pelos jornalistas se o conflito estaria terminado até às intercalares.
Sobre a decisão de alguns candidatos ou legisladores republicanos de não comparecerem na convenção pré-eleitoral do partido em Dallas, Trump afirmou na passada quarta-feira que não há "espaço suficiente” para meio milhar de políticos.
“Temos espaço para aqueles que estão numa disputa renhida, quer estejam um pouco atrás, um pouco à frente ou empatados. Mas não temos espaço para pessoas que têm uma vantagem de 35 pontos e não precisam de ir”, justificou.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, com mediação de países do Médio Oriente, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses expirou.
Com as negociações indiretas entre Washington e Teerão paradas, os Estados Unidos retomaram em 30 de agosto os bombardeamentos contra a República Islâmica, após cerca de um mês de acalmia nos confrontos, que por sua vez respondeu visando alegados alvos norte-americanos nos países vizinhos da região do Golfo.
O reatamento das hostilidades surge logo após de Trump ter incumbido o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, de preparar uma ofensiva económica contra o Irão através de novas sanções, depois de a força militar não ter levado a cedências do regime de Teerão.
O Irão exige que os Estados Unidos voltem aos compromissos assumidos no memorando e tem reiterado que a ameaça militar no estreito de Ormuz só será levantada em troca do fim da guerra em todas as frentes e do fim do bloqueio norte-americano.