Uma década depois de ter deixado a vida política Álvaro Santos Pereira está de regresso com a missão de liderar o Banco de Portugal

| 25 de Julho de 2025 às 10:55
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Álvaro Santos Pereira

Foi o ministro da Economia de Pedro Passos Coelho e um dos rostos do fim de dois feriados em Portugal.


Ficou conhecido como o ministro do pastel de nata. A sugestão de criar um franchising do doce típico português, numa altura em que o país vivia sob a mão austera da troika, valeu a Álvaro Santos Pereira um caminho acidentado à frente do ministério da Economia. 

Assumindo-se desde sempre como independente e reformista, marcou a diferença logo desde o primeiro momento, ao deixar para trás os formalismos e a pedir aos jornalistas que o tratassem por "Álvaro". 

Uma postura de outsider que o acabou por fragilizar ao longo dos dois anos em que teve a pasta da economia no executivo de Pedro Passos Coelho - o que lhe valeu ataques e um caminho minado por Paulo Portas.

Rapidamente ganhou a alcunha de elo mais fraco, viu os poderes do superministério que liderava esvaírem-se, ao perder áreas para políticos com mais peso no Governo, como Portas e Vítor Gaspar. 

A queda de Álvaro Santos Pereira acabou por vir no verão quente de 2013. Paulo Portas tornou o irrevogável revogável, ao demitir-se do cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros e a voltar dois dias depois como vice-primeiro-ministro. 

O papel do CDS no executivo saiu reforçado e Álvaro Santos Pereira saiu pela porta pequena, substituído por António Pires de Lima e rumo a um cargo na OCDE.

Já fora de Portugal, as polémicas seguiram-se. Como diretor de estudos nacionais teve um quase incidente diplomático com o Governo de António Costa. 

Portugal ainda estava no período da geringonça, quando Álvaro Santos Pereira e o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, entraram em rota de colisão devido a um relatório sobre a economia portuguesa que tinha a corrupção como um dos tópicos de análise. 

O incidente escalou e levou a críticas veladas das duas partes. 

Já como economista chefe da OCDE deu uma entrevista ao "Expresso" no início de julho deste ano e não se absteve de deixar críticas ao ainda governador do Banco de Portugal. 

Questionado sobre a atuação de Mário Centeno, Álvaro Santos Pereira fez-se valer das palavras de Jerome Powell para dizer que o Banco Central não pode ser político - tem de ser independente e técnico.

As palavras fazem prever uma relação mais harmoniosa com o Ministério das Finanças, depois de as previsões económicas de Centeno terem colidido com as de Miranda Sarmento. 

Após uma década em Paris, Álvaro Santos Pereira está de regresso à arena nacional - e desta vez entra pela porta grande.