Presidente do Chega, André Ventura
Presidente do Chega, André Ventura FOTO: LUSA
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O líder do Chega apontou baterias depois ao PS sobre a forma como está a lidar com a polémica em torno do ministro da Administração Interna (MAI), afirmando que embora o partido já tenha falado de muitos outros casos, exigindo explicações, tornou-se “gritante perceber que com todos os elementos que vinham a público o PS continuou em silêncio”.

O presidente do Chega recusou esta sexta-feira a ideia de que a constituição da comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) pretenda prejudicar a instituição, alegando que a história do partido diz o contrário.

“Acho que toda a história do Chega diz o contrário. Todo o momento em que o Chega tomou intervenção na vida política foi para defender as polícias, a sua independência, fê-lo na 'operação Influencer', quando muitos queriam fragilizar o Ministério Público e as autoridades e fê-lo contra o engenheiro José Sócrates para defender a integridade da polícia e do Ministério Público”, afirmou André Ventura à margem de um debate sobre economia, competitividade e tecido empresarial da região do Porto.

O líder do Chega apontou baterias depois ao PS sobre a forma como está a lidar com a polémica em torno do ministro da Administração Interna (MAI), afirmando que embora o partido já tenha falado de muitos outros casos, exigindo explicações, tornou-se “gritante perceber que com todos os elementos que vinham a público o PS continuou em silêncio”.

“E isso levanta-me a suspeita, honestamente, com toda a transparência, de achar que os partidos em Portugal estão reféns de poderes ocultos. E em Portugal não podem existir poderes ocultos para lá do poder do povo e da democracia”, frisou André Ventura.

Questionado se há algum poder oculto por trás do caso que envolve Luís Neves, admitiu que sim: “Provavelmente, porque para vermos tanto silêncio com tanta evidência, qual seria o outro político que poderia ter coisas, direto ou indiretamente, ligadas a um processo de tráfico de droga, que a própria PJ já tenha vindo dizer que não deu ordem nenhuma, nem a encontrou, que se mantivesse em função, sem dar nenhuma explicação”.

Insistindo que o Chega não quer “inviabilizar nenhum debate”, assinalou “haver uma diferença entre um debate e uma investigação”, enfatizando que “todos os indícios” que o partido tem “são muito preocupantes em relação à integridade das instituições”, sem contudo dizer quais são.

“Todos os elementos que nos fizeram chegar de vários quadrantes e até documentos que nos fizeram chegar são preocupantes, exigem intervenção imediata e ninguém, desde o Presidente da República à oposição e às instituições, podem ficar em silêncio”, continuou André Ventura, que remeteu para a comissão de inquérito a divulgação da informação que disse “estão a recolher” e que classificou de “grave”.

A terminar, André Ventura acusou o PS de ter sido “ridículo” quando, “dez minutos” após o Chega ter anunciado a comissão de inquérito, se ter “apressado a vir dizer que também tem ali uma comissão de inquérito”.

O PS anunciou esta sexta-feira que avançará com uma comissão parlamentar de inquérito se o ministro da Educação, Fernando Alexandre não responder satisfatoriamente até ao início de setembro a um conjunto de questões sobre o processo de digitalização dos exames nacionais.

“Mas o PS nem sequer diz que vai ter uma comissão de inquérito (…) diz que podemos ter uma comissão de inquérito se não responderem aqui a três ou quatro questões”, comentou André Ventura.

A terminar, o dirigente do Chega deixou um “conselho ao PS”, afirmando que “quem tem medo, compra um cão. Não está na política”.