Vida de Pinto da Costa fica para sempre ligada à história do FC Porto: quebrou recordes e tornou-se o Presidente da história do futebol com mais títulos

| 16 de Fevereiro de 2025 às 16:11
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Jorge Nuno Pinto da Costa

Jorge Nuno Pinto da Costa morreu este sábado aos 87 anos.

Jorge Nuno Pinto da Costa: uma das figuras mais divisórias do nosso país. Amado por uns, contestado por outros, de polémicas ao enorme sucesso desportivo. O que é inegável é que Pinto da Costa é uma das maiores figuras da história do desporto português, num caminho que fica intrinsecamente ligado ao Futebol Clube do Porto. Com oito anos assistiu ao primeiro jogo do porto frente ao Braga, no velhinho campo da constituição. Foi uma paixão que nunca mais foi travada.

Com 16 anos a avó materna Alice inscreveu-o como sócio dos dragões. Com cerca de 20 anos, é convidado pelo responsável da secção de hóquei em patins para ocupar o lugar de vogal. Em 1969, é convidado por Afonso Pinto de Magalhães a integrar a sua lista para as eleições desse ano, como diretor das modalidades amadoras.

Assim, Pinto da Costa assume pela primeira vez um cargo eleito no FC Porto. Depois de uns anos 70 muito complicados para o clube portista, um grupo de sócios une-se com o objetivo de convencer Pinto da Costa a candidatar-se à presidência do clube.

Em abril de 1982 venceu as eleições para a presidência do porto. Era o início da história de maior sucesso de um dirigente no mundo do desporto. Foram 42 anos ao comando dos destinos do clube azul e branco, espalhados por cinco décadas: 15 mil 355 dias como Presidente do Futebol Clube do Porto e 2591 títulos conquistados em todas as modalidades do clube azul e branco.

No futebol tornou-se o presidente mais titulado da história. O lema de candidatura à presidência: "se queres um porto forte em Portugal e na Europa, vota Pinto da Costa", passou de projeto a realidade.

Em 42 campeonatos nacionais o Futebol Clube do Porto de Pinto da Costa conquistou 23 deles. A estes juntou 16 taças de Portugal, uma taça da liga e 22 supertaças. A nível nacional, o Porto atingiu a hegemonia com a conquista do pentacampeonato no final dos anos 90, um feito inédito em Portugal e que até à data ninguém conseguiu repetir.

O sucesso foi sem precedentes dentro portas, mas foi nos palcos internacionais que o FC Porto de Pinto da Costa mais brilhou.

O primeiro sucesso chegou em Viena, em 1987. O Porto bateu o poderoso Bayern de Munique e conquistou a taça dos clubes campeões europeus. No mesmo ano derrotou o Penarol do Uruguai, no Japão, e venceu a taça intercontinental debaixo da neve branca, mas na Europa o percurso do Porto continuou a ser dourado.

Nos anos 2000, Pinto da Costa apostou num até à data inexperiente José Mourinho e a aposta deu frutos. O Porto venceu a taça UEFA em 2003 e a liga dos campeões de 2004.

A década de 2010 abriu com a última conquista internacional do Porto, a liga Europa com André Villas-Boas no banco, naquela que era a cadeira de sonho. Curiosamente ia mesmo ser André Villas-Boas a tirar Jorge Nuno Pinto da Costa da presidência do Porto.

As eleições de abril de 2024 colocaram um ponto final na história do maior dirigente do desporto nacional e internacional. Desceu a cortina num verdadeiro conte de fadas que nenhum portista dos anos 60 ou 70 poderia imaginar no melhor dos sonhos.

Na memória fica um percurso que transformou o FC Porto e mudou para sempre a paisagem desportiva em Portugal. Foi pelas mãos do Presidente dos presidentes que entram no Porto algumas das suas maiores figuras.

De José Maria Pedroto, a André Villas-Boas, de José Mourinho a Sérgio Conceição, de Deco, a Fernando Gomes, de João Pinto a Jardel, de Pepe a Falcão, de Vítor Baía a Paulo Futre.

Pinto da Costa foi a figura que brilhou mais entre todas as outras no clube azul e branco, mas foi também um dos grandes porta estandartes da cidade do Porto. Uma figura particular e sempre com um toque provocador. Fez do combate contra o centralismo de Lisboa uma das grandes diretivas da vida.

Já fora do FC Porto foi atraiçoado pela saúde. Um cancro na próstata levou a melhor sobre um verdadeiro símbolo portista. Um percurso inigualável, um adeus emocionado do mundo do desporto.

Uma história que vai deixar saudades a todos os adeptos portistas, que nunca vão esquecer Jorge Nuno Pinto da Costa, o Presidente dos presidentes.