Informação Privilegiada
A psicóloga Carolina de Freitas Nunes e Inês Marinho, criadora da associação "Não Partilhes", estiveram no programa Informação Privilegiada e alertaram para o perigo da procura por engajamento e gostos nas redes sociais pelos mais jovens.
A psicóloga Carolina de Freitas Nunes e Inês Marinho, criadora da associação "Não Partilhes", estiveram no programa Informação Privilegiada desta sexta-feira e comentaram o caso de uma menor de 16 anos que terá sido, alegadamente, violada e filmada por três rapazes, em Loures. O vídeo foi partilhado nas redes sociais e chegou a ter 32 mil visualizações.
Carolina de Freitas Nunes começou por afirmar que não se trata de um erro apenas dos pais destes jovens, mas sim da sociedade como um todo.
"Nós vivemos atualmente numa sociedade em que é permitido muitas das vezes este tipo de comportamentos (…) a resposta dada pela parte social e judicial é ainda muito 'verde'", realçou.
Segundo a psicóloga, existe uma "desresponsabilização" por parte dos culpados. Alertou que, hoje em dia, os jovens tendem a procurar por validação, engajamento e gostos nas redes sociais, optando assim por tomar ações mais radicais.
Inês Marinho continuou por referir que crianças e adolescentes têm cada vez mais "preconceitos a nível da identidade sexual" e "contra as mulheres", devido a influências online que "representam este tipo de pensamentos".
"Esta cultura incel, que significa celibato involuntário, é composta por homens que se consideram não atraentes para mulheres. É uma comunidade de homens online que (...) tem um ódio inerente às mulheres e a todas as pessoas que são sexuais, porque eles não o são involuntariamente", mencionou.
De acordo com Inês Marinho, esta cultura tem bastantes representantes, tanto "em governos como nos media", nomeadamente influencers que, alguns deles, estão "condenados por abuso e tráfico sexual e são das pessoas mais seguidas pelos jovens".