Violação em Loures: “Não é por ter começado de forma consentida que não se consegue parar”, diz João Massano

| 15 de Abril de 2026 às 22:57
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Informação Privilegiada

O advogado lembrou que a apresentadora de televisão disse “mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele ‘não quero mais’?”.

O bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, esteve no programa Informação Privilegiada, no NOW, esta quarta-feira e falou sobre a polémica em relação às declarações de Cristina Ferreira sobre a violação de uma jovem em Loures. 

O advogado lembrou que a apresentadora de televisão disse “mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele ‘não quero mais’?”. 

João Massano defendeu que, tal como na política — referindo-se às declarações do primeiro-ministro relativamente a um acordo com o Chega — “não é não”. 

“Não é o facto de estarmos perante uma situação que até parece ter começado de forma consentida que não se consegue parar. Não estamos a falar de pessoas que não têm vontade própria”, acrescentou. 

O bastonário destacou que os níveis de violência contra as mulheres têm vindo a aumentar e que, “particularmente na população mais jovem, esses índices são preocupantes”. 

“Está em todas os RASI dos últimos anos”, recordou. 

Para o advogado, “quem está na televisão, como [...] a Cristina Ferreira, tem uma responsabilidade acrescida” relativamente a este tipo de assuntos. “Não é o mesmo que alguém que está na rua a dizer isto”, explicou. 

“Coloco como pergunta: e se fosse a filha da Cristina Ferreira, por exemplo, [...] ou a minha, o que é que nós dizemos? Aceitamos isto assim?”, questionou. 

O bastonário concluiu que quando uma mulher diz que não, “o homem tem de perceber que é não, sejam três, quatro ou cinco”.