A hora é de inquietação, em particular em relação à inflação, o que se repercute no custo da dívida, dado que os credores exigem taxas de juros superiores.
A bolsa nova-iorquina encerrou esta terça-feira em baixa, a ceder à inquietação dos investidores decorrente do retomar dos ataques dos EUA ao Irão, que agravaram a subida das cotações do petróleo e das taxas de juro.
Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average cedeu 0,79%, o tecnológico Nasdaq perdeu 1,03% e o alargado S&P500 baixou 0,71%.
Aqueles ataques fizeram subir as cotações do barris de petróleo, com a do norte-americano WTI a superar os 90 dólares pela primeira vez desde o fim de julho.
Em contrapartida, as petrolíferas ganharam com as notícias: a Chevron valorizou 2,38%, a ExxonMobil 2,24% e a ConocoPhillips 2,84%, com todas as aproximarem-se dos seus máximos históricos.
Mas, em termos gerais, a hora é de inquietação, em particular no referente à inflação, o que se repercute no custo da dívida, dado que os credores exigem taxas de juros superiores.
Cerca das 21:25 horas de Lisboa, o rendimento dos títulos federais a 10 anos atingia os 4,79%, o valor mais elevado desde janeiro de 2025 e do regresso de Donald Trump à Casa Branca.
"As taxas de juro funcionam como travões de uma viatura: travam a economia ao aumentar o custo dos empréstimos", tanto para as empresas como para os particulares ou ainda os Estados, comparou Adam Sarhan, da 50 Park Investments, em declarações à AFP.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, procurou relativizar estas preocupações evocando, durante uma entrevista à Fox Business, o "'boom' económico" dos EUA.
Para Sarhan, a subida das expectativas de inflação, devido aos altos preços da energia, "significa provavelmente que a Fed (o banco central) deve ter de esperar mais antes de poder baixar a taxa" de juro de referência.
Os investidores esperam duas baixas até ao final do ano.
Nos indicadores, o relatório JOLTS sobre as ofertas de emprego em julho saiu abaixo do esperado, tal como o índice de atividade industrial relativo a agosto, feito pelo ISM.
Entre as cotadas, as tecnológicas, cada vez mais endividadas devido ao investimento na inteligência artificial, caíram, perante a subida do aumento do custo do crédito, como exemplificam Nvidia (-1,39%), Micron (-2,64%) e SpaceX (-1,02%).